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Particularidades da conservação de acervos expostos ao ar livre – esculturas de cimento

Ao longo de 2015, nas notícias de acervo, tratamos sobre o Programa de Acervo do Museu Felícia Leirner e  Auditório Cláudio Santoro, descrevendo sucintamente o processo de restauro, monitoramento e conservação permanente das obras da coleção, iniciado em 2009, do restauro realizado na obra “Centenário”, escultura da artista Felícia Leirner, que embora não faça parte da coleção do Museu, está localizada em praça pública na cidade de Campos do Jordão e foi incorporada ao Programa de Acervo pela sua importância histórica e artística ,e o processo de aquisição da escultura “Maternidade”, que passou a integrar a coleção das instituições em 2014, e discorremos brevemente sobre seu valor estético dentro da produção da artista.

Para fechar o ano foi eleito um tema abrangente, que extrapola a coleção ao tratar dos procedimentos de conservação e restauro de forma geral,  e que desperta grande interesse: a conservação de obras de arte em ambientes abertos. A partir da experiência vivenciada com a manutenção do nosso próprio acervo, ampliaremos a reflexão para outros espaços nos quais, muitas vezes, não é dada a importância e grandiosidade.

De modo geral, os fatores ambientais que interferem na conservação de obras de arte ao ar livre estão relacionados aos níveis inadequados de umidade, temperatura, luz, sujidades em deposição (poeira, resíduos vegetais etc.) e gases contaminantes. A poluição atmosférica é, em si, um componente gravíssimo, pois é capaz de alterar a composição química de diversos materiais. Vale destacar que as interferências mais nocivas são as decorrentes do contato com os animais, desde insetos e roedores, até a ação do próprio ser humano.

Na presença de umidade elevada e de mudanças abruptas de temperatura, cada material reage à sua maneira. A madeira, por exemplo, dilata e contrai, causando fissuras e quebras; enquanto o metal sofre com a oxidação e a corrosão. A umidade pode estar presente na atmosfera, como no caso da característica névoa de Campos do Jordão; pode ser uma umidade descendente, representada pelas chuvas e garoas; ou ainda ascendente, ou seja, proveniente do solo como infiltrações ou acúmulo de água no piso. Como consequência direta da umidade relativa do ar, temos o estabelecimento de um ambiente favorável à instalação de colônias de microrganismos, por exemplo. Para que se compreenda a extensão destas influências, é importante ressaltar que inclusive as estruturas internas se contaminam por fatores externos, compondo um cenário complexo que envolve agentes e componentes diversos.

No trabalho de conservação preventiva realizada junto ao acervo do Museu Felícia Leirner, algumas ocorrências destacam-se pela frequência e merecem, portanto, maior atenção das equipes envolvidas. Neste boletim destacaremos os casos mais significativos ligados às esculturas de cimento, em que a artista privilegiou a relação e interdependência com o meio ambiente, criando inclusive nichos específicos para que os animais se beneficiassem do acúmulo de água.

Percebemos nessas esculturas uma recorrência de patologias típicas do contato direto com as intempéries, como fissuras e erosões; outras provenientes de deterioração biológica, como proliferação de microrganismos e presença de pequenos animais e seus resíduos (dejeções, ovos, casulos etc.); além de interferências provocadas pela vegetação, como o crescimento de raízes, a queda de galhos e frutos. É necessário destacar a deterioração natural dos materiais componentes, como estrutura metálica e cobertura; bem como a ação negativa do homem que, com o vandalismo e outros tipos de acidente, promove a deterioração humana.

Neste sentido, as esculturas criadas em cimento recebem tratamento constante que inclui, dentre outras, ações e intervenções como higienização ou remoção das camadas de tinta sobrepostas, bem como aplicação de nova camada de pintura; higienização e recuperação de pontos deteriorados nas bases de alvenaria das obras; remoção de colônias de microrganismos e aplicação de inibidor de formação destas colônias específicas; tratamento das fissuras e rachaduras com resina e argamassa; substituição de argamassa deteriorada.

Diante da conjuntura na qual as obras expostas ao ar livre estão submetidas, a sua salvaguarda depende totalmente do constante monitoramento e conservação preventiva, que asseguram a estabilização dos processos deterioradores que incidem sobre elas. Vale lembrar que as demais áreas do Museu devem todas contribuir para a salvaguarda do acervo, objetivando o fim maior de preservação da memória da artista e do patrimônio, destacando as ações de formação de público levadas à cabo pela equipe de educação do Museu, bem como as campanhas de preservação desenvolvidas pela equipe de comunicação, sem deixar de lado o trabalho com as equipes de segurança, limpeza e jardinagem, que ao compreenderem o valor da coleção contribuem sobremaneira para a sua preservação.

 

Acompanhe os nossos próximos boletins e descubra as especificidades do cuidado com as obras de bronze e granito da nossa coleção, que igualmente expostas ao ar livre sofrem a influência direta das intempéries e ação humana. Não se esqueça de observar pelas praças, ruas e cidades onde você transita, a existência de obras de arte e monumentos instalados ao ar livre. Tente identificar a ação das intempéries e as patologias que aos poucos tomam conta desses objetos. Faça a sua parte, preservando e evitando o vandalismo.

 

Lembre-se que tudo o que é público deve ser desfrutado, mas também preservado por todos!

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