Boletim 09 | Março 2017 | 1º trimestre

“Aprender? Certamente, mas primeiro, viver e aprender pela vida, na vida.”
John Dewey
Um novo ano começou e a equipe de educadores do Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro já está a todo vapor, trabalhando na concepção, elaboração e desenvolvimento de uma série de atividades e ações com finalidade de mediação educativa dos conteúdos trabalhados nas instituições: Artes Visuais, Música e Meio Ambiente.
Neste e nos próximos Boletins para Educadores apresentaremos aos interessados os principais pressupostos teóricos que norteiam o trabalho da equipe, buscando elucidar o processo de criação em relação à ações, projetos e atividades executados junto aos públicos, e despertar o olhar para aspectos de interesse comum para os mais diversos processos educativos. Com isso, imaginamos também poder contribuir positivamente com a reflexão de educadores formais e não formais.
Para dar início à reflexão discorreremos brevemente acerca da ideia de EXPERIÊNCIA. Para as nossas equipes, o processo de aquisição de conhecimentos e conteúdos específicos passa necessariamente pela experiência em si. Isso quer dizer que, aos nossos educadores não se reserva o papel de meros transmissores de informações e dados e sim de articuladores e mediadores de vivências.
Neste sentido, ao promoverem possibilidades de experimentação por parte do público, eles também são deslocados do papel de simples receptores de informação para o papel de agentes criadores de significados e conhecimentos. Dessa forma, há que se admitir um processo educativo baseado na troca entre os vários entes envolvidos, valorizando o repertório específico de cada indivíduo ou grupo em relação ao conteúdo e tema abordados.
Lembramos, portanto, que a experiência é entendida aqui como uma potente ferramenta capaz de gerar sentimentos de pertencimento e cidadania, uma vez que ela leva em conta tanto o repertório individual do visitante quanto novas informações articuladas junto ao educador. Desta forma, acredita-se que o conteúdo “construído” em visita educativa seja realmente significativo, pois a experiência leva em conta não somente os aspectos cognitivos como também (e principalmente) os aspectos emocionais e sensíveis.
Priorizando o valor da experiência no contato com o conteúdo abordado, prezamos igualmente pelo RESPEITO À DIVERSIDADE – outro princípio norteador de nossas ações e proposições. Ao articular as vivências de acordo com as diferentes realidades de públicos e indivíduos, admite-se a troca como ponto crucial na aquisição de conhecimentos. Isso quer dizer, por exemplo, que as obras de arte poderão ser “lidas” e “interpretadas” por todos os indivíduos, uma vez que a experiência do contato com a obra em articulação com o repertório individual do visitante é quem produz, por si só, conhecimentos significativos sobre o tema.



