Boletim 10 | Junho 2017 | 2º trimestre

“A Educação Patrimonial deve ser tratada como um conceito basilar para a valorização da diversidade cultural, para o fortalecimento de identidades e de alteridades no mundo contemporâneo e como um recurso para a afirmação das diferentes maneiras de ser e de estar no mundo.”
Sônia Regina Rampim Florêncio
Chegamos à segunda edição do Boletim para Educadores de 2017. Pontuamos na primeira edição deste ano (Boletim nº9) que apresentaríamos os principais pressupostos teóricos que norteiam o trabalho da equipe de educadores do Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro, permeando todo o processo criativo em relação às ações e atendimentos educativos. O objetivo – além de tornar conhecidos os embasamentos teóricos da equipe -, é despertar o olhar para diversos aspectos concernentes aos processos educativos, contribuindo assim com a reflexão de educadores de espaços formais e não formais. Desta forma, no Boletim anterior apresentamos os conceitos relativos à EXPERIÊNCIA e ao RESPEITO À DIVERSIDADE. Falamos, portanto, de educadores no papel de articuladores e mediadores e não apenas de transmissores de informação; assim como do público visitante como agente criador de significados e conhecimentos, e não apenas como mero receptor de informações. Além disso, destacamos a constante e criativa adaptação de conteúdos aos diversos públicos, destacando a “troca” como ponto central na aquisição de novos conhecimentos.
Levando em conta a natureza turística do município em que os equipamentos culturais – Museu e Auditório – encontram-se, além de seu caráter múltiplo, as ações educativas desenvolvidas pela equipe buscam trabalhar o conceito de EDUCAÇÃO PATRIMONIAL como ferramenta de apropriação e valorização do patrimônio local. Acredita-se que esse processo levado a cabo por ações continuadas e repetidas seja capaz de fortalecer a autoestima dos indivíduos e da comunidade local, historicamente distante dos equipamentos.
Tendo nos patrimônios cultural (artes visuais e música) e ambiental (área de proteção ambiental onde estão localizadas as esculturas e entorno dos edifícios) o centro de todas as ações educativas desenvolvidas, objetivamos fortalecer os sentimentos de cidadania, pertencimento e identidade, tendo convicção de que a Educação Patrimonial contenha a força necessária para gerar condições adequadas para a preservação do patrimônio material e para o uso consciente dos recursos naturais e dos espaços público. Como já citado, as ações têm como público-alvo os mais variados entes da comunidade local, abrangendo diferentes tratamentos para o tema, e contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e comprometidos.
Lembramos ainda, que o conceito de Educação Patrimonial se encontra aqui fortemente intrincado à ideia de Experiência, apresentada no Boletim anterior. Na medida em que a experiência traduz os conceitos em vivências sensíveis, trazendo a compreensão e absorção do conteúdo por meio do engajamento real, admite-se que o contato qualificado com o patrimônio material e natural por meio da experiência possa funcionar com disparador dos sentimentos de pertencimento e apropriação, tão caros à ideia de Educação Patrimonial.



