Boletim 24 | Novembro 2020 | 4º trimestre

“Talento é dom, é graça. E sucesso nada tem a ver com sorte, mas com determinação e trabalho.”
Augusto Branco
Fomos, assim como todos, surpreendidos no início de 2020 pelo avanço da pandemia do COVID-19, que fez com que os equipamentos culturais entrassem em quarentena, deixando de receber seus visitantes e, também, de realizar suas atividades educativas. A equipe educativa do Museu e Auditório – atualmente formada por cinco educadores e uma estagiária -, “se viu” em meio a uma nova realidade, tocando suas demandas por meio de trabalho remoto e enfrentando dúvidas e desafios. Pouco ou nada restou da rotina antiga, na qual diariamente realizavam visitas educativas para grupos escolares, oficinas para públicos espontâneos e agendados, ações extramuros, além do atendimento ao público.
Nasce, então, a pergunta sobre como prosseguir a missão de desenvolvimento de um trabalho educativo a partir das temáticas de atuação do Museu e Auditório sem a experiência presencial dos visitantes nos equipamentos culturais. O presente boletim – que encerra o singular ano de 2020 – apresentará, portanto, algumas das soluções e caminhos encontrados para manter o desenvolvimento do trabalho, sustentando missão e valores institucionais, ao longo do período de distanciamento social provocado pela pandemia do COVID-19, a partir de 18 de março deste ano. Destacamos que, embora os equipamentos tenham sido reabertos à visitação pública em 5 de setembro, as ações educativas presenciais seguiram suspensas até a data de publicação deste boletim.
O fechamento dos equipamentos culturais provocou o cancelamento/adiamento das visitas já agendadas, além da suspensão do calendário de ações programadas, mês a mês. As redes sociais do Museu e Auditório – utilizadas primordialmente para a divulgação de atividades – tornaram-se, então, o principal meio de comunicação entre as equipes e o público. As programadas para serem realizadas presencialmente passaram a ser exibidas virtualmente. Para atender ao primeiro momento do período, foram utilizadas atividades já realizadas anteriormente pela equipe, que receberam adaptações para a linguagem das redes sociais. A partir daí, novas práticas passaram a ser planejadas, tendo como foco o ambiente e o público virtuais.
Um dos primeiros desafios encontrados pela equipe foi a proposição de ações que dessem conta de atender à diversidade do público virtual, formado por pessoas de diferentes idades, culturas, gostos e interesses. Os materiais precisaram, assim, adquirir uma linguagem universal, ainda mais clara e objetiva, que atendesse a mais pessoas.
A equipe precisou, também, desenvolver novas habilidades técnicas para a realização das ações, conhecendo novas ferramentas tecnológicas e aprendendo a lidar com temas como luz, enquadramento, cenário, áudio e postura cênica; além da preocupação com a pertinência, qualidade e veracidade do conteúdo. Tudo isso sem computar, ainda, o desafio pessoal de enfrentar as câmeras e apresentar conteúdos em plataformas virtuais que não conheciam ou não tinham intimidade.
As 65 ações realizadas desde março abordaram as três vertentes de atuação dos equipamentos culturais: artes visuais, música e meio ambiente, e, também, as datas comemorativas, as programações especificas para Museus nas redes sociais, ações para públicos específicos com atividades para idosos, pessoas com deficiência e em situações de vulnerabilidade, além de cursos para professores e guias de turismo. Um total de 229.683 visualizações (entre 20 de março e 16 de setembro) parece comprovar a relevância do trabalho e o amadurecimento da equipe, que também atuou com participações de membros em bate-papos e transmissões ao vivo. Destacamos que as parcerias marcadas por ações presenciais também foram mantidas, respeitando as limitações do momento, e promovendo, agora, de forma virtual. Câmara Técnica de Educação Ambiental e Projeto Alegria de Viver são exemplos de parcerias que permaneceram ativas durante o isolamento social.
A visita educativa também passou por adaptações para que o público pudesse vivenciar, mesmo que virtualmente, os espaços do Museu e Auditório. Uma das proposições de visitação on-line já era um recurso disponível em nosso site, a Visita Virtual, que proporciona ao internauta percorrer livremente os equipamentos culturais, por meio de imagens interativas em 360 graus. Outra opção de visita virtual foi criada pela equipe nesse período e está disponível nas redes sociais, a Visita Educativa Virtual mostra Felícia Leirner e cada uma das fases de sua trajetória como artista. Uma visita noturna lúdica acontece no vídeo Uma Noite no Museu onde, ao cair da noite, as esculturas do Museu Felícia Leirner ganham vida e interagem entre si, apresentando o museu aos interessados.
E, para finalizar, destacamos a perspectiva de que esse novo trabalho não deva cessar com o final do isolamento social. O que, inicialmente foi encarado como um desafio, já se tornou parte do dia a dia da equipe educativa e muitas ações estão sendo criadas e pensadas especialmente para público virtual, que seguirá podendo acessar as redes sociais para encontrar conteúdos de qualidade que vão além de notificações e divulgações de nosso trabalho, para contemplar parcerias e atividades educativas e culturais qualitativas e significativas. Finalizamos, portanto, o último boletim de 2020 com a certeza de que mesmo com os obstáculos encontrados durante a pandemia do COVID-19, a equipe educativa cresceu e amadureceu durante esse período e segue firme, criando e se aprimorando continuamente com o objetivo de levar ao público mais cultura, diversão e arte.
Aproveite para conhecer todo esse trabalho, navegando em nossas redes: @museufelicialeirner e no site www.museufelicialeirner.org.br.


