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Educativo que pulsa: sentimentos que permeiam as memórias do Núcleo Educativo

Boletim 42 | Agosto 2026 | 2° quadrimestre

Grupo de visitantes de costas observando uma escultura de bronze em um jardim, durante visita guiada ao ar livre.

“Me movo como educador porque primeiro me movo como gente”

Paulo Freire

A proposta deste boletim segue uma linha diferente, mas talvez nem tanto. Neste texto, convidamos os leitores a mergulhar nas experiências e nos relatos que transitam entre afetividades, conquistas, novidades, desafios, resoluções e, principalmente, memórias que marcaram a equipe neste primeiro semestre de 2026.

A primeira experiência envolve o sentimento de frustração, que muitas vezes faz parte do processo e impulsiona a busca por soluções. No início do ano, uma das atividades em desenvolvimento foi a oficina “Chaveiro Ambiental”, que consiste na produção de chaveiros com impressões de relevos botânicos em cerâmica fria. Como acontece em todas as atividades, o planejamento passou pelas etapas de pesquisa, teste e aplicação.

As referências pesquisadas eram promissoras, mas, na prática, o primeiro teste ficou muito distante do esperado. O segundo repetiu o resultado e, a partir daí, as tentativas seguintes trouxeram ainda mais insegurança e frustração. Foi nesse momento que a equipe se uniu para aperfeiçoar o processo, compartilhando ideias, ajustando técnicas e encontrando, em conjunto, os caminhos para que a oficina se tornasse viável.

Quando chegou o momento de aplicar a atividade, os resultados produzidos pelos visitantes surpreenderam pela criatividade e beleza. Aos poucos, a preocupação deu lugar à percepção de que alcançar a perfeição não era o mais importante. O verdadeiro resultado da oficina estava nas experiências compartilhadas: a conexão entre familiares, a alegria dos participantes e a oportunidade de observar e contemplar a natureza por meio da criação.

É essencial considerar as vivências, os repertórios e as características que tornam cada pessoa única. Quando essas individualidades se encontram e formam uma equipe, surgem diferentes olhares, experiências e competências que enriquecem o trabalho coletivo. É dessa diversidade que nasce o potencial e a interdisciplinaridade do Núcleo Educativo do Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro.

Nosso segundo relato é festivo e esperançoso, e demonstra o quanto o potencial da equipe depende da cooperação. Todo mês de junho acontece o “Arraiá do Alto da Serra” no Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro, no qual o Núcleo Educativo atua em diálogo com o Núcleo de Programação, ficando responsável por levar as brincadeiras juninas. Nos dois últimos anos, costumávamos planejar, de forma conjunta, possibilidades para tornar o evento ainda mais acolhedor e alegre. Porém, em meio aos compromissos, preparativos e outras ações, alguns dos nossos planos não conseguiam ser efetivamente aplicados, e a participação do Educativo mantinha-se contida. Em 2026, favorecidos por um ambiente organizacional muito cooperativo, os dois setores trabalharam em conjunto durante um mês para finalmente concretizar o projeto que tinham em mente.
O Núcleo Educativo contribuiu, sobretudo, com a confecção de artigos para a decoração da Concha Acústica (espaço atualmente renomeado para Palco Natureza), onde o Arraiá é realizado. Sabíamos que esse aspecto era especialmente importante para criar o clima festivo junino, então partimos de elementos característicos, como tecidos floridos, balões e bandeirinhas coloridas de papel. Além disso, confeccionamos novos materiais para a tradicional pescaria, que deixou os peixinhos de lado para dar lugar a réplicas artesanais, em miniatura, das obras de Felícia Leirner, fazendo com que a brincadeira remetesse ao próprio Museu. Também produzimos premiações especiais para incentivar a participação dos visitantes nas brincadeiras, todas estampadas com ilustrações originais e colagens digitais feitas por educadoras da equipe.

O terceiro e último relato pode ser definido pelas palavras paciência e afeto. Desde julho de 2024 realizamos a oficina temática “Pintando o Pôr do Sol”, na qual os visitantes são convidados a criar pinturas a partir da vista oferecida pelo mirante, ponto mais alto do Museu Felícia Leirner. Desde o início, essa ação despertou vários questionamentos: será que haveria adesão do público? Será que a proposta seria interessante? Será que faria sol? Em nosso trabalho, existem diversos fatores que escapam ao nosso controle, especialmente o clima e a resposta dos visitantes.

Apesar das incertezas, a oficina nos surpreendeu de forma muito positiva desde a primeira edição. Como julho coincide com o inverno, o céu da Serra da Mantiqueira tende a permanecer sem nuvens, e o entardecer ganha cores extraordinárias, tornando-se um dos momentos mais aguardados por quem visita a cidade. Em 2026, realizamos a terceira edição da atividade. Algumas famílias participam desde a estreia e contam que esse é um dos momentos pelos quais mais esperam ao longo do ano, além de gostarem de acompanhar a evolução de seus quadros a cada nova edição.

O que nos encanta nessa oficina é dar continuidade à poética de Felícia Leirner, ainda que por meio de uma linguagem artística diferente, fazendo da natureza a principal referência e o palco das composições criadas pelos participantes.

Quando paramos para refletir sobre esses relatos, percebemos que todas essas ações oferecidas ao público são experiências das quais gostaríamos de participar como visitantes. Cada uma dessas memórias é marcada, sobretudo, pela criatividade, entendida como uma competência humana que buscamos aprimorar diariamente.

BIBLIOGRAFIA:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

MUSEU FELÍCIA LEIRNER E AUDITÓRIO CLAUDIO SANTORO. Plano Museológico. Campos do Jordão: ACAM Portinari, 2021.