Boletim 06 | Junho 2016 | 2º trimestre

“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”
Paulo Freire
Ao longo de 2015 apresentamos em nossos Boletins um panorama sobre o trabalho desenvolvido pela equipe de educadores nos temas de atuação do Museu: Artes Visuais, Meio Ambiente e Música. No primeiro Boletim deste ano apresentamos alguns roteiros de visitas desenvolvidos pela equipe, tornado visível a possibilidade de diversificação de abordagens do acervo. Vale lembrar que o valor primordial empregado na criação de roteiros e demais propostas está fundamentado na “experiência”, ou seja, na possibilidade de vivência do público dentro do espaço museal. Acredita-se que o maior potencial dos museus esteja justamente naquilo que é gerado a partir da possibilidade da vivência, da experiência do contato com a Arte, o Meio Ambiente e a Cultura, em geral.
Destacaremos neste Boletim ações e proposições desenvolvidas pela equipe de Educadores com o objetivo de expandir as possibilidades de interação do público com os espaços. Não falaremos de roteiros de visitas educativas, mas de propostas educativas que puderam e podem ser vivenciadas em diferentes formatos, respeitando as especificidades de públicos diversos e a amplitude de temas oferecidos pela natureza múltipla dos equipamentos culturais.
O Pé de Poesias é uma ação que nasceu com a intenção de ser temporária, mas que tornou-se permanente em virtude do alto grau de aceitação e interação atingido junto ao público. Trata-se de uma bonita árvore localizada próxima a entrada do Museu e estacionamento, que ganhou como adorno uma série de pinhas de papel plastificado contendo poesias de autores brasileiros e, principalmente, da própria artista Felícia Leirner. Ali, ao pé da árvore, o público começa a explorar as poesias e se transporta imediatamente para o mundo dos sentidos e emoções, que será explorado ao longo de todo o percurso pelo Museu e Auditório. Através dessa proposição, onde Arte e natureza mostram-se em perfeita harmonia, objetiva-se incentivar e criar condições para que o público realize uma exploração sensível do espaço, permitindo-se o distanciamento consciente das reações automáticas e pré-concebidas, para um comportamento mais presente e crítico durante a visita.
Uma outra ação desenvolvida pela equipe de educadores valoriza a multiplicidade de públicos, objetivando a mediação do conteúdo de forma inusitada e lúdica. A contação de histórias tátil apresenta a biografia resumida da artista plástica Felícia Leirner e utiliza-se da multissensorialidade como forma de aquisição de conhecimentos, ampliando os canais de absorção de informações e trazendo novos elementos ao processo cognitivo.
Ao narrar a história de vida da artista para o público vendado, a equipe disponibiliza elementos cênicos para a apreciação tátil dos participantes. Acredita-se que o despertar dessa sensibilidade possa contribuir com todos os processos de ensino e aprendizagem, além de permitir um momento de descontração em grupo, de participação ativa e de envolvimento lúdico com o conteúdo museológico.
Por fim, destacaremos mais uma ação desenvolvida pelos educadores do Museu e Auditório, visando novas possibilidades de acesso e interação com os conteúdos. Recortes na Paisagem é uma atividade educativa que busca provocar reflexões sobre a influência do Homem na paisagem natural, abordando um aspecto importantíssimo da poética da artista Felícia Leirner, e destacando o tema da preservação ambiental. O grupo, primeiramente, acessa a área do Museu denominada pela própria artista de “Recortes na Paisagem”. Esta área apresenta esculturas de cimento branco, intencionalmente integradas à paisagem e ao meio ambiente. São formas abstratas, com grandes espaços vazios, por onde se observa a natureza do entorno. Diante desta observação, o educador incentiva o diálogo, problematizando o tema junto aos visitantes, e fazendo uso de mecanismos apropriados ao perfil específico de cada grupo. Munidos de uma série de reflexões, os participantes são convidados a se expressar plasticamente, utilizando recortes de revista e papel sulfite para criar situações de interação entre paisagem e interferências humanas. Os resultados variados demonstram diferentes percepções sobre o tema, reforçando o caráter múltiplo da Arte e, ainda, a importância de expressar-se dentro de suas próprias experiências e percepções. Vale destacar que o caráter lúdico aplicado na execução da atividade permite um ambiente de trocas saudáveis e de lazer em grupo.
Mostramos, desta forma, a participação do grupo de educadores na elaboração de atividades que além de lúdicas, divertidas e prazerosas, propõem reflexões e aprendizados significativos, reforçando o lugar do Museu como espaço propício à aquisição e troca de conhecimentos, bem como de acesso qualitativo ao patrimônio material e imaterial. Lembramos que estes são apenas exemplos de uma série de ações que trabalham com os temas das Artes Visuais, Música e Meio Ambiente. Há ainda a possibilidade de composição conjunta entre as nossas equipes e os grupos interessados em desenvolver parcerias para o atendimento focado às especificidades e interesses de cada grupo. Museu e Auditório só fazem sentido em sua interação com as pessoas e é por este motivo que buscamos sempre a diversificação das propostas de atendimento. Acompanhe as nossas ações educativas, descubra qual delas te interessa mais e venha experimentar novas formas de acesso ao conhecimento e à cultura!


