Boletim 08 | Dezembro 2016 | 4º trimestre

“A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é preparação para a vida: é a própria vida”.
John Dewey
Caminhamos para o fim de mais um ano no Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro… a equipe começa a avaliar os sucessos e conquistas, bem como a ponderar as necessidades de melhoria e aperfeiçoamento para o novo período que se aproxima. Nossos educadores somam em sua bagagem muito aprendizado e desenvolvimento, com a elaboração de muitas atividades, proposições e materiais, além de um amadurecimento em relação ao próprio trabalho e aos desafios da profissão.
No primeiro Boletim para Educadores de 2016, apresentamos três diferentes roteiros de visitas educativas com o objetivo de exploração dos diferentes temas de atuação dos nossos equipamentos culturais; no segundo trimestre, o Boletim apresentou algumas ações educativas que extrapolam a visita em si, buscando diferentes tipos de interação com o público; e no material passado, falamos um pouco dos materiais educativos criados pela equipe, cujo objetivo concentra-se na possibilidade de qualificação das interações dos diferentes públicos com os conteúdos apresentados. Percebe-se por este panorama, a busca ininterrupta pela diversificação das possibilidades de exploração dos nossos temas de atuação, em um movimento que vai de encontro às pessoas, buscando a valorização de suas potencialidades e a superação de eventuais dificuldades.
No presente Boletim apresentaremos ações “extramuros” desenvolvidas pelos educadores, evidenciando o compromisso institucional com a comunidade local, e validando o propósito de diversificação de propostas e linguagens com o intuito de ampliar a interlocução, encurtando a distância entre os equipamentos culturais e as pessoas. Acredita-se, portanto, no estabelecimento de uma relação dialógica com a cidade, onde o Museu não é identificado como um centro emanador de conhecimentos e saberes, mas como um espaço privilegiado para trocas significativas.
Assim, ao elaborarmos possibilidades de interações qualitativas fora do ambiente museal, estamos oferecendo oportunidades a pessoas que talvez nunca tenham tido contato com estes conteúdos, além de divulgar os espaços e fomentar a valorização do patrimônio patrimonial. Vale ressaltar que, em alguns casos específicos, esta opção configura-se como a única maneira possível de acesso ao conteúdo abordado no Museu e Auditório. Selecionamos três ações promovidas ao longo de 2016, como exemplos que possam evidenciar a natureza diversificada das proposições e o desejo legítimo de interlocução com as diversas realidades locais.
Em parceria e a convite da Secretaria Municipal de Cultura, o Museu e Auditório levaram atividades para bairros periféricos da cidade, dentro da programação denominada “Bairro Cultural”. A intenção, partilhada entre a Secretaria de Cultura e nossa equipe, é a de levar ações culturais para bairros física e/ou socialmente distantes da região central, ampliando o repertório de possibilidades dos moradores e garantindo o seu direito à cultura. Para integrar a ação, onde a Prefeitura participa com a doação de livros e a organização do evento, os educadores realizaram contações de histórias, apresentando temas relacionados ao Museu e Auditório.
Jogos educativos também foram disponibilizados, despertando o interesse para o assunto. Importante destacar a intencionalidade na escolha de atividades de cunho lúdico e introdutório, uma vez que o objetivo central é o de apresentá-los ao universo cultural, despertando o interesse para algo tantas vezes considerado supérfluo ou desinteressante. Como resultado temos o sentimento de pertencimento e valorização da própria história, que surge do conhecimento de suas especificidades e da possibilidade de fazer parte desse contexto de oportunidades.
A participação, pelo terceiro ano consecutivo, na homenagem ao Dia das Crianças, realizada pelo Fundo Social de Solidariedade, também evidencia interesse da instituição em fazer parte da “vida” do município. Neste ano, os educadores levaram às crianças um jogo de tabuleiro gigante, que além de muito divertido, trata de maneira indireta sobre a importância da preservação do patrimônio material e imaterial local. O brinquedo, criado pela própria equipe, traz aspectos da história de Campos do Jordão, bem como curiosidades sobre a vida e a cultura do jordanense. Para a ação, a preocupação e o foco voltaram-se prioritariamente para a inserção dos equipamentos culturais na realidade dos munícipes, com o intuito de fazê-los compreender as instituições como um bem público capaz de ser explorado e apropriado por todos, e não simplesmente como um atrativo turístico, que não dialoga com os moradores.
A última ação extramuros que descreveremos neste Boletim diz respeito à participação, também pelo terceiro ano consecutivo, da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia promovida pelo Instituto Federal no campus de Campos do Jordão, em outubro deste ano. Os educadores optaram por trabalhar com questões relativas ao meio ambiente, explorando especificamente o tema da compostagem doméstica. Para tanto, utilizaram a composteira do Museu e Auditório como articuladora de oficinas rápidas oferecidas aos visitantes. Por tratar-se prioritariamente de estudantes de ensino médio e superior e claro, por estarmos inseridos no meio estudantil em uma feira sobre ciência e tecnologia, deu-se a opção por uma abordagem mais técnica, já explorada no cotidiano e bastante relevante no contexto da preservação ambiental. Observou-se um vasto interesse pelo assunto e pelas demais ações realizadas pelo Museu e Auditório, ampliando assim a interlocução com este público potencial.
Com as programações acima descritas, acreditamos ter elucidado o movimento institucional em direção a uma gestão dialógica, que leva em conta as diferentes práticas e contextos em que se encontra inserida. Percebe-se que a cada nova demanda ou possibilidade de diálogo com a comunidade, a equipe de atendimento educativo desenvolve estratégias e ações específicas que possam ecoar dentro daquela realidade. Para as comunidades distantes atendidas pelo Bairro Cultural, optou-se por uma aproximação lúdica e introdutória, capaz de desmistificar a existência do Museu e Auditório, aproximando os equipamentos culturais da vida dessas pessoas.
Em resposta à demanda de participação na comemoração do Dia das Crianças no município, a equipe buscou apresentar os bens da cidade de uma maneira divertida e muito leve. Apesar de tratar-se de algo sério e urgente, a opção pelo formato de brincadeira torna o assunto interessante para as crianças que, quase sem perceber, descobrem aspectos da história e passam a valorizar o patrimônio como um bem comum e um diferencial identitário. Por fim, para atender a uma demanda da comunidade acadêmica local, o Museu escolheu explorar um assunto mais técnico e um formato mais tradicional, porém perfeitamente adaptado ao contexto.
Para finalizar, reiteramos o nosso genuíno interesse em desenvolver novas ações em parceria com os diferentes entes da comunidade, criando oportunidades de melhoria e crescimento, bem como ampliando a curiosidade e a compreensão acerca do Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro. Caso tenha lido este Boletim e se interessado pela possibilidade de “personalizar” a sua experiência nos equipamentos culturais, entre em contato conosco através do email contato@museufelicialeirner.org.br e agende uma reunião. Será um grande prazer criarmos conjuntamente uma oportunidade de interação entre os nossos temas e a sua realidade.





