Ir para o conteúdo

Educação Patrimonial: um caminho para a valorização do indivíduo e de suas heranças culturais

Boletim 13 | Março 2018 | 1º trimestre

“Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”

Paulo Freire – Pedagogia do Oprimido

Ao longo de 2017, apresentamos e discutimos brevemente os princípios que norteiam o trabalho dos educadores do Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro na relação com os públicos: Experiência; Respeito à Diversidade; Educação Patrimonial; Interdisciplinaridade; e Multissensorialidade. Encerramos o ano com a apresentação do projeto “Escola Vem ao Museu”, desenvolvido permanentemente pela equipe de educadores, como fruto da aproximação e busca por diálogos enriquecedores entre as realidades do Museu e das Escolas. 

Iniciaremos 2018 nos aprofundando um pouquinho mais na questão da importância da Educação Patrimonial para a formação dos indivíduos e valorização das comunidades. 

É preciso lembrar que, em vista da natureza múltipla de nossos equipamentos culturais, o patrimônio poderá ser tratado a partir de qualquer um dos nossos três “objetos” ou temas de atuação: coleção de esculturas (Artes Visuais); área de proteção ambiental (Meio Ambiente); e auditório Claudio Santoro (Música). Destacamos que o patrimônio aparece aqui como elemento motivador de ações educativas, provocando debate, reflexão e construção de conhecimento junto aos públicos diversos. 

Acreditamos, como já apresentado em Boletins anteriores, no potencial transformador das ações de Educação Patrimonial. Isto porque temos como premissa que o contato qualificado com os temas, ou seja, mediado pelos conhecimentos de nossos educadores, deverá impulsionar um processo ativo de construção do conhecimento e valorização da própria herança cultural que nos baliza. Isso resultará inevitavelmente numa apropriação dos espaços e temas e, consequentemente, numa postura de preservação e cuidado com o patrimônio que nos cerca. 

Importante lembrar que o entendimento dos processos de Educação Patrimonial passa pela ideia de “alfabetização cultural”, que potencializaria a habilidade dos indivíduos para a leitura crítica da realidade e valorização de sua história e heranças culturais. Ressaltamos que a ideia de que não é possível estimar aquilo que não se conhece e que, portanto, ao tomar contato com novos temas ou novas abordagens para temas já conhecidos, os indivíduos passam a compreender a importância de sua preservação e a agir em favor de sua valorização.   

Abordaremos três atividades já realizadas com grupos de estudantes e que visam à Educação Patrimonial dentro de nossos temas de atuação: 

“Caça ao Tesouro Ambiental” é uma atividade que estimula os estudantes e grupos à compreensão de nosso patrimônio ambiental. Tendo a área de preservação ambiental como ponto disparador das reflexões, os grupos recebem uma listagem com nomes de elementos que deverão buscar caídos pelo chão do museu. Com esses itens em mãos, os educadores trabalham aspectos da natureza local, destacando as particularidades da região e tornando evidente a importância de sua preservação.

 “Projeção Acústica nos Diferentes Ambientes” é uma atividade que busca, a partir de exemplos práticos, trazer aos estudantes o conhecimento acerca das diferentes modalidades de projeção sonora, tornando possível a compreensão de elementos relacionados à Musica, bem como a valorização de aspectos arquitetônicos que tornam o Auditório Claudio Santoro uma das maiores casas da música erudita no Brasil e América Latina. 

“Recortes na Paisagem” busca trabalhar a partir da coleção de esculturas e, mais especificamente, da fase final da criação da artista Felícia Leirner, elementos das Artes Visuais em relação à paisagem, trabalhando igualmente aspectos de preservação do patrimônio, intervenções antrópicas na paisagem etc. 

Os três exemplos concorrem para exemplificarmos a importância de trabalhar a Educação Patrimonial como fonte de apropriação de conhecimentos e reforço dos sentimentos de pertencimento, cidadania e participação. É nesse sentido que convidamos o professor a buscar em nossas ações uma parceria para a sua atuação junto aos estudantes, quando o objetivo também for o de incremento da sua formação integral como cidadão e de valorização da própria cultura e heranças histórico-culturais como caminho para o desenvolvimento individual e para a construção de uma comunidade crítica e mais responsável.