Boletim 14 | Junho 2018 | 2º trimestre

“A Educação, o Museu e o Patrimônio são campos de tensão e de devoração, mas também são pontes, práticas e dispositivos que provocam sonhos.”
Mário Chagas
Nesta edição do Boletim daremos continuidade à importância da Educação Patrimonial como ferramenta para a formação crítica dos indivíduos e contribuição qualitativa na construção de realidades socioculturais e interações com o meio.
Lembramos, assim, que dentre os objetivos institucionais preconizados pelo Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro, “fomentar na comunidade a valorização dos vários elementos patrimoniais” que a constituem está elencado entre os principais. Desta forma, a equipe de educação trabalha em parceria com diversas frentes da comunidade local, buscando o despertar dessa consciência patrimonial e suas naturais consequências na formação dos indivíduos.
Foi assim que, junto aos educadores do Museu Casa da Xilogravura – localizado no bairro do Jaguaribe, em Campos do Jordão –, a equipe elaborou a ação denominada “Roteiro Cultural – Campos do Jordão”. Trata-se de um jogo cujo objetivo central incentivar os visitantes a conhecerem novos pontos culturais da cidade, a começar pelos dois museus envolvidos.
A primeira etapa do projeto foi implementada ao longo da 16ª Semana de Museus, em maio, e, paulatinamente, deverá desdobrar-se ao longo dos próximos meses de 2018. Neste momento, o grupo de educadores dos dois espaços elencou um tema central para trabalhar em conjunto, cada um em seu museu. O assunto escolhido foi “Arquitetura” e, a partir de um exercício interno de cada instituição, foram levantados tópicos correlatos nas exposições. Desta forma, percebeu-se que a arquitetura poderia ser trabalhada e discutida em suas mais diferentes frentes, tendo o acervo e os próprios espaços institucionais como pano de fundo.
Partindo desse primeiro estudo, as equipes se debruçaram na formulação de proposições a serem trabalhadas junto ao seu público. No Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro, o público alvo definido foi o familiar, no sentido de valorizar as interações das diferentes gerações, gerando debate e aprendizado entre os próprios participantes. Desta forma, a equipe desenhou um roteiro específico do tema, sobre o qual elaborou uma atividade lúdica capaz de ser realizada autonomamente pelos interessados. A “cruzadinha” elaborada pela equipe leva os visitantes a explorarem todo o acervo do Museu e a buscarem as respostas ao longo desse percurso e interação. São questões que sugerem o aprofundamento na compreensão da coleção, bem como no patrimônio como um todo.
Tendo completado a tarefa no Museu e Auditório, o público interessado poderá realizar a atividade proposta pelo Museu Casa da Xilogravura sobre o mesmo tema. Ao final das duas ações, receberão um certificado de conclusão da atividade, envolvendo as instituições museais.
Lembramos, portanto, que a Educação Patrimonial poderá se dar das mais diferentes formas possíveis, tendo como objetivo a apropriação de repertório por parte dos indivíduos, de forma a que possam compreender os bens materiais e imateriais de sua própria cultura como forma de emancipação individual e posicionamento crítico diante das coisas. O lúdico é, muitas vezes, bastante bem-vindo nesse processo, uma vez que permite o acesso ao conhecimento de forma quase imperceptível e valoriza as relações afetivas com o meio e com os demais envolvidos, tornando o processo de ensino e aprendizado mais eficiente e duradouro.
Para concluir, reiteramos a possibilidade de adaptação deste roteiro para grupos de visitantes espontâneos e escolares, que tenham interesse em aprofundar as suas relações qualitativas com o município de Campos do Jordão, reconhecendo o seu patrimônio como fonte de conhecimento e identidade.


