Boletim 17 | Março 2019 | 1º trimestre

“Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.”
Albert Camus
Encerramos 2018 descrevendo as ações voltadas a públicos específicos nos programas Mais Sentidos e Outono. Essas atividades têm como objetivo a aproximação entre a instituição e a comunidade, com eventos direcionados especificamente para cada público, abordando as temáticas Artes Visuais, Meio Ambiente e Música, visando assim o desenvolvimento social, intelectual e motor.
Começamos 2019 apresentando no Boletim para Educadores o Programa Todos no Museu, voltado especificamente para o atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Esse projeto tem como objetivo promover inclusão social e cultural a grupos sociais diversificados, marginalizados e com maior dificuldade no acesso aos equipamentos culturais. Assim, por meio de ações planejadas, é possível trabalharmos a formação de público, acreditando no potencial transformador e emancipador da Cultura.
O Programa foi definitivamente incorporado à rotina institucional em 2015, com a realização de ações específicas junto a diversas instituições de Campos do Jordão e cidades vizinhas. São utilizados os espaços do Museu e Auditório, mas também o ambiente das próprias instituições atendidas. Acreditamos, estrategicamente, que quando parte dessas ações é realizada em seus próprios locais de convivência diária, permitimos a criação de vínculos de confiança capazes de facilitar a aproximação do público com os equipamentos culturais.
Dentro do Programa, nos anos anteriores a 2019, tivemos experiências com atendimentos personalizados à Casa Abrigo Elsa Mansur dos Santos e Casa Abrigo Joatão Lopes, cujo público são crianças e adolescentes apartados do convívio familiar conforme as necessidades e orientações do Conselho Tutelar; Casa de Acolhida Rainha da Paz, que atende homens adictos em idade adulta; Fundação Santa Cruz – casa de repouso e entidade de assistência social; SEA – Sociedade de Educação e Assistência Frei Orestes; além de grupos do CRAS de Caraguatatuba; da ONG GAMT – Grupo de Assessoria e Mobilização de Talentos, que tem como objetivo o desenvolvimento de ações que direcionem ao mercado de trabalho jovens estudantes em situação de vulnerabilidade social; e do Projeto Aquarela – Assistência Social Pinhalense, de Santo Antônio do Pinhal, que atende crianças da rede escolar do município em atividades educativas, projetos educacionais, atividades pedagógicas, culturais e artísticas.
As ações trabalham, igualmente, as temáticas de atuação do Museu e Auditório, valorizando as potencialidades de cada grupo na interação com os conteúdos. Destaca-se o cuidado com a ludicidade, adaptada a diferentes faixas etárias, como ferramenta propícia à aquisição de conhecimentos em contextos específicos, como os aqui apresentados. Assim, entre as diversas atividades realizadas junto ao público em situação de vulnerabilidade social, destacamos a título ilustrativo a Contação de Cordéis, a oficina de Confecção de Instrumentos Musicais, e as próprias visitas educativas. Na Contação de Cordéis o público é apresentado às histórias de vida da artista Felícia Leirner e do maestro Claudio Santoro, além de começar o reconhecimento da temática do Meio Ambiente, pela valorização da flora local. Utiliza-se, assim, a linguagem da literatura de cordel – gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada – como forma de aproximação da realidade vivida por eles, caminho propício ao estabelecimento de relações afetivas que permitem, posteriormente, a exploração mais aprofundada de cada um dos temas. Na oficina de Confecção de Instrumentos Musicais, são reutilizados materiais de fácil acesso (sucata) na criação de diferentes instrumentos e sons, apresentando o universo da musicalização, das variações sonoras e, ainda, promovendo a valorização do meio ambiente por meio da possibilidade do reaproveitamento de materiais do dia a dia. As visitas educativas apresentam o acervo da escultora Felícia Leirner, o patrimônio ambiental em que estamos inseridos e o Auditório, local onde é realizado o maior evento de música clássica da América latina.
Encerramos esse Boletim Educativo com a alegria de compartilhar a recém-formada parceria com o Grupo de Mulheres do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) de Campos do Jordão. O objetivo será proporcionar a essas mulheres, cuja única fonte de renda provém de programas governamentais, o contato com atividades e equipamentos culturais, a ampliação de repertório e a inclusão sociocultural como forma de emancipação e resgate da autoestima, ferramentas capazes de gerar verdadeiras transformações pessoais e coletivas.
Por fim, lembramos que estamos abertos ao estabelecimento de novas parcerias para o atendimento pontual ou continuado de públicos em situação de vulnerabilidade social, dentro do Programa Todos no Museu, e que a equipe de educadores permanece disponível para buscar soluções e formatos que dialoguem com as realidades específicas de cada grupo. A formatação de ações em parceria, levando em conta as possibilidades da instituição e as necessidades dos grupos interessados, são de extremo interesse, muito bem-vindas e desejadas. Esperamos por você!



