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Recortes na Paisagem: a relação indissociável entre as esculturas e a paisagem natural

Em edições anteriores do “Notícias de Acervo”, já tratamos sobre a relação entre a poética expressada nas obras da artista Felícia Leirner e sua paixão pela natureza, o que se torna bastante evidente na apreciação das esculturas da coleção. Nesta edição, aprofundaremos mais esse tema, apresentando a série Recortes na Paisagem – especialmente criada para compor uma vasta área verde, na entrada do Museu. Um detalhe importante torna essa série ainda mais especial: a confecção dessas 18 esculturas foi realizada pela artista já na área do Museu, durante o início da década de 1980.

Aos 76 anos, residindo em Campos do Jordão, Felícia iniciou a produção de sua última série de esculturas em cimento armado em ferro, no próprio espaço do Museu, com a ajuda inestimável de seu antigo jardineiro. As esculturas desta série foram criadas entre os anos de 1980 e 1982, com o Museu Felícia Leirner e Auditório Claudio Santoro já em funcionamento, abertos ao público.

Diferentemente das outras esculturas – que foram trazidas prontas para integrar a coleção – a série foi integralmente confeccionada para compor uma área determinado no jardim do Museu. As obras, compreendidas na série possuem, portanto, uma característica comum, que parece justificar o nome escolhido: todas elas são compostas por vazios, fendas, aberturas e recortes que permitem o transpassar da luz solar, gerando novas perspectivas a cada olhar, de acordo com as nuances de incidência de luz, variações na paisagem do entorno e a própria circulação de pessoas no local. Os “recortes na paisagem” parecem, portanto, serem compostos a partir das próprias esculturas, tomadas como “molduras” da natureza do entorno.

O conjunto de obras está localizado em área privilegiada do Museu: o jardim principal, situado à entrada dos equipamentos culturais. Esta área de considerável descampado recebe a maior incidência de luz solar em relação às demais áreas, o que torna a conservação das esculturas dessa série mais sucinta, quando comparada às demais esculturas, localizadas em áreas mais úmidas e de menor incidência de luz solar. Sendo a conservação e divulgação do acervo missões primordiais na gestão dos equipamentos, a organização destaca o acompanhamento diário pela estagiária de acervo, bem como a manutenção periódica de equipe especializada em conservação e restauro de obras de arte (Escritório de Restauro e Conservação Julio Moraes). Estagiária e equipe técnica trabalham sistematicamente em parceria, realizando o monitoramento da coleção e a retirada frequente de sujidades, bem como o hidrojateamento, a pintura e demais procedimentos necessários.

Percebe-se, portanto, que para um trabalho responsável de conservação de obras de arte é necessário levar-se em conta, além de características estruturais e local de exposição, aspectos relacionados às próprias escolhas do artista criador. Trabalhando de maneira a integrar todos esses aspectos é possível manter a conservação eficiente das obras para apreciação de um grande número de espectadores e, acima de tudo, divulgar o legado estético, poético e imagético da artista Felícia Leirner, permitindo o debate e o aprofundamento na compreensão social e histórica de sua produção, bem como a sua importância dentro do cenário artístico nacional e internacional.

FOTOS: Morais, Frederico, 1946 – Felícia Leirner: a arte como missão, Campos do Jordão, SP: Museu Felícia Leirner, 1991

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