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Compreender para conservar: a experiência da equipe de restauradores-conservadores na manutenção da coleção de esculturas do Museu Felícia Leirner

Ao longo do terceiro trimestre de 2016 recebemos o conservador-restaurador Claudemir Ignácio, integrante do escritório do Julio Moraes Conservação e Restauro, para uma palestra ilustrativa sobre os procedimentos de manutenção e restauração da coleção de esculturas do Museu Felícia Leirner.

 Muito já falamos sobre a natureza diferenciada dos procedimentos de manutenção e restauro da coleção, pela especificidade de estarem expostas permanentemente a céu aberto. Vale buscar mais informações sobre o tema nos artigos anteriores. De qualquer maneira, é imprescindível mencionar que os principais fatores deterioradores das obras do acervo, independentemente do material utilizado, são: o desgaste natural intensificado pela exposição cotidiana às intempéries e variações de temperatura e umidade; as interferências causadas pela natureza e agentes naturais; bem como a ação humana.

Segundo o convidado elucidou que o restauro das obras iniciou-se em 2008, pelo esforço da Organização Social ACAM Portinari. Naquele momento, o estado de degradação não permitia a simples ação paliativa, mas necessitava de intervenções bastante significativas para a sua recuperação estrutural. A conservação dos materiais em cimento, por exemplo, só foi possível depois desse minucioso processo. Vale lembrar que, de acordo com o palestrante, quando há a necessidade de ações mais invasivas, que essas devem ser guiadas por rígidos critérios éticos e técnicos, para que seja evitada qualquer alteração nas características conceituais e materiais da escultura.

A abordagem mais acertada para a preservação de obras artísticas visa a conservação preventiva, ou seja, está focada em evitar o problema (desgaste, deterioração) muito mais do que em que repará-lo. Cabe aos responsáveis pela manutenção, portanto, a realização de intervenções mínimas capazes de assegurar a sua estabilidade física e estética. Desta forma, concluída a etapa inicial de recuperação das esculturas, o grupo definiu sua forma de ação, estabelecendo um padrão de visitas de acordo com as  especificidades do item. O restaurador apontou, portanto, aspectos levados em conta na definição dos procedimentos de monitoramento da coleção: o acervo em cimento, por ser mais suscetível que o em bronze e granito, necessita de observação contínua e ininterrupta. Além disso, qualquer sinal de mudança no estado de conservação deve ser imediatamente considerada pela equipe técnica, evitando o agravamento do caso e a consequente  necessidade de ações mais profundas.

Como mecanismos de acompanhamento do estado das coleções de obras de arte, o conservador-restaurador definiu e apresentou quatro pontos importantes: atualização constante da documentação fotográfica; o estabelecimento de um mapa com a definição das áreas mais problemáticas em função do terreno, vegetação, fragilidade das peças e acesso do público; vistoria de cada escultura, conforme planejamento em calendário previamente definido, comparando dados anteriores e novas ocorrências; e, para concluir, a criação de um Plano de Emergência para casos de acidentes, intemperismo, queda de árvores etc..

Para concluir, o especialista apresentou procedimentos extremamente importantes que devem ser incorporados à rotina das equipes, com o objetivo de contribuir para o processo de salvaguarda da coleção: a remoção frequente de dejetos de animais; a eliminação constante da água pluvial depositada nas reentrâncias; e por fim, não menos importante, a orientação ao público no sentido da importância da conservação do patrimônio material.

Ao término da palestra, Ignácio conduziu uma visita cuidadosa pela exposição, apontando presencialmente os principais desafios da manutenção da coleção, reforçando a necessidade de uma ação integrada que envolva todos os funcionários da instituição com o objetivo comum de proteger o nosso patrimônio material.

Lembramos, ainda, que nossos esforços de formação de público para ambientes culturais ganham uma dimensão ainda maior quando percebemos que é urgente compreender o patrimônio material como parte primordial de nossa herança histórica e cultural.

 

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