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A conservação do acervo do Museu Felícia Leirner nas diferentes estações do ano

A conservação das obras do Museu Felícia Leirner possui grande especificidade – assunto já explorado com profundidade anteriormente. Tratando-se de um museu cuja coleção é exposta permanentemente a céu aberto, em contato direto com a natureza circundante, é inevitável que apresente alguns desafios pontuais para a manutenção de sua conservação. Neste artigo, serão abordadas as especificidades da manutenção e conservação do acervo ao longo do ano, de acordo com cada estação.

É necessário levar em conta que o município de Campos do Jordão (SP) possui clima e vegetação únicos, sendo muitas vezes comparado a cidades europeias. Sendo assim, as estações do ano são bem definidas – diferentemente da maior parte do país onde o clima tropical é predominante – e cada época tem características bastante marcantes, como alto nível pluvial no verão e longos dias ensolarados atingindo baixíssimas temperaturas durante o inverno. Percebe-se, portanto, que a cada diferente estação, o acervo sofre com a incidência de intempéries variadas, sendo necessário adotar métodos diferenciados na manutenção preventiva das obras. Vale lembrar que três materiais compõem a coleção do Museu: o bronze, o cimento armado em ferro, e o granito – cada um com suas próprias características e vulnerabilidades.

Iniciaremos abordando o verão – estação mais chuvosa e quente do ano – em que a proliferação de musgos e infiltração de água nas obras, por força de rachaduras, dá-se de maneira mais acelerada. O cuidado maior durante este período é voltado, principalmente, para a eliminação eficiente do acúmulo de água nas esculturas, evitando a proliferação de insetos e, consequentemente, de seus dejetos; o surgimento de limo; as erosões e rachaduras. O trabalho da equipe de acervo é diário e voltado à prevenção, além de estar perfeitamente alinhado à equipe especializada, que atua também na solução rápida, de forma a não permitir o agravamento de situações como as descritas acima. 

No período do outono, as chuvas cessam e as plantas perdem a folhagem. As obras – principalmente as de cimento e de granito – começam a liberar a umidade interna que foi acumulada durante a estação anterior. As complicações verificadas durante esses meses estão principalmente relacionadas ao contato direto das obras com a vegetação. A grande quantidade de folhagem que incide sobre as esculturas deve ser removida pela equipe com frequência elevada, impedindo assim o início do processo de decomposição, que é responsável pela impressão de manchas escuras nas esculturas, além de atrair insetos e seus já citados dejetos, tão prejudiciais à manutenção da conservação do acervo.

O emblemático inverno de Campos do Jordão é reconhecidamente uma estação seca e extremamente fria. Durante esse período, a baixa umidade do ar inibe a proliferação de insetos e suas consequências. Embora a equipe de acervo mantenha a limpeza diária das esculturas, esse procedimento torna-se mais sucinto e menos preocupante. É um excelente período para a recomposição da pintura das obras de cimento e proteção mecânica das obras em bronze.   

Por último, a primavera é o momento em que as chuvas voltam a compor o cenário local, trazendo consigo a questão do acúmulo de água nas esculturas e demandando, novamente, um cuidado redobrado na manutenção e no acompanhamento da coleção. A natureza volta a compor a sua folhagem e beleza emblemáticas e a equipe interna retoma a rotina de retirada de água acumulada com mais acuidade e sintonizada com a equipe especializada, no sentido de apontar com agilidade a aparição de limo, erosões ou rachaduras nas obras da coleção.

Muito embora as situações relatadas sejam bastante genéricas, pois o clima e as estações possuem também suas variações e peculiaridades, é importante termos um panorama de acompanhamento mais amplo, e assim, nos prepararmos para enfrentar cada período da melhor maneira, focando na qualidade do trabalho de conservação da coleção – objeto primeiro de nossas atenções.

As características e peculiaridades definidas pela natureza própria do Museu Felícia Leirner reforçam, ainda mais, o seu caráter especial e único, e que prevê uma relação indissociável entre arte e meio ambiente, permitindo ao espectador o estabelecimento de relações infinitas e a possibilidade de contemplação de um único acervo a partir de diversas perspectivas. Há que se reforçar a preocupação institucional de excelência nos processos de manutenção preventiva e corretiva da coleção, exemplificado pela atuação interessada das equipes internas, que se debruçam sobre a caracterização do acervo e suas particularidades, além da presença constante de equipe especializada contratada permanentemente para dar direcionamento e acompanhamento desses processos.

 

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