3º quadrimestre de 2022

“Os museus devem estabelecer e aplicar políticas que garantam que
os acervos (tanto permanentes quanto temporários) e suas respectivas
informações, corretamente registradas, sejam acessíveis para uso corrente
e venham a ser transmitidas às gerações futuras nas melhores condições possíveis […]”
(ICOM, 2009 p. 17-18).

Dessa forma, o museu é responsável pela preservação de suas coleções, pressupondo a guarda, segurança e disponibilização para pesquisa e apreciação, por meio de exposições e em condições adequadas (Teixeira e Ghizoni, 2012, p. 12).

Preservar significa proteger, defender e resguardar o bem cultural de algum dano ou perigo futuro, a fim de assegurar a sua disponibilidade contínua. Essa proteção é garantida por meio de um conjunto de medidas e estratégias de ordem administrativa, política e operacional, que, direta ou indiretamente, para a integridade do bem (IBRAM, 2019, p.10).

Assim como a preservação, o conceito de conservação também se baseia em medidas de segurança e manutenção, porém, ao mesmo tempo em que a conservação concerne à intenção de proteger um bem cultural, seja ele material ou imaterial, ela também é a própria ação para este fim (Desvallées e Mairesse, 2013, p. 80).

Essas ações podem ser executadas de forma indireta, levando em consideração o macro ambiente, não interferindo nos materiais e estruturas dos bens e também não modificando sua aparência. Em sentido amplo, compreendem as operações de segurança, em geral, como a proteção contra roubo ou vandalismo, incêndios ou inundações, entre outros (Desvallées e Mairesse, 2013, p. 80).

Há, ainda, ações de intervenção direta na peça que se dão por meio da atuação de profissionais com alta qualificação em restauro ou estabilização de degeneração, com o objetivo de devolver, na medida do possível, a configuração original da peça deteriorada ou sua recuperação a um determinado estado anterior ao que se encontra (Meirelles, 2012, p. 81).

No caso do Museu Felícia Leirner, que possui acervo exposto permanentemente a céu aberto em área verde remanescente de Mata Atlântica, os cuidados específicos com a conservação da coleção e a difusão do legado da artista plástica são uma das principais preocupações da instituição. O museu investe na conservação preventiva das obras com um programa permanente e detalhado para gerar uma situação de relativa estabilidade e evitar que as peças se desgastem excessivamente com a ação do tempo.

Para entendermos um pouco mais sobre a aplicação das rotinas de preservação e conservação do acervo na prática, levaremos em consideração as obras de cimento branco armado com ferro, técnica que está presente em 40 das 86 obras da artista que permanecem expostas no museu.

A Instituição mantém, em sua equipe, uma profissional responsável pelo monitoramento e acompanhamento do estado de conservação das esculturas atualizado rotineiramente em fichas de acompanhamento e ocorrências. Essas informações são passadas para a equipe de Conservação e Restauro “Julio Moraes”, que, através de visitas periódicas, faz a higienização profunda das obras e, caso seja necessário, o restauro delas.

A higienização se dá por meio da técnica de hidrojateamento com pressão controlada. Essa técnica ajuda na remoção das sujidades e das marcas deixadas pela ação das intempéries, como o surgimento e proliferação de microrganismos, próprios da exposição ao ar livre.

Após a lavagem, as obras recebem uma nova pintura com tinta mineral, e as bases recebem uma aplicação de uma camada de cimento ecoveda, responsável por formar uma membrana impermeável homogênea.

A rotina de manutenção mantida pela equipe do Museu faz parte das ações de conservação preventiva, que têm como fim a desaceleração do processo de degradação de um bem, diminuindo as chances de interferências mais profundas com restauros posteriores à degradação e mantendo-o o mais intacto possível para as gerações futuras.

REFERÊNCIAS:
DESVALLÉES, André; MAIRESSE, François. Conceitos-chave de Museologia. Tradução: Bruno Brulon Soares, Marília Xavier Cury. ICOM: São Paulo, 2013.

ICOM. Código de ética do ICOM para Museus: versão lusófona. São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, 2009.

INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS. Conservação Preventiva para acervos museológicos. Módulo 1 – Conceitos Básicos do Curso de Conservação Preventiva para acervos museológicos do IBRAM. Arquivo em pdf. Brasília, 2019. p. 10.

MEIRELLES, Heloisa Maria Pinheiro de Abreu. Diretrizes em Conservação de Acervos Museológicos. In: ASSOCIAÇÃO CULTURAL DE AMIGOS DO MUSEU CASA DE PORTINARI. Documentação e Conservação de acervos museológicos: diretrizes. São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, 2010.

MORAIS, FREDERICO. Felícia Leirner: a arte como missão. Campos do Jordão: Museu Felícia Leirner, 1991.

Série Habitáculos: Estrutura, Conservação, Integração e Interação. Museu Felícia Leirner, 2020. Disponível em: <https://www.museufelicialeirner.org.br/noticias-de-acervo/serie-habitaculos-estrutura-conservacao-integracao-e-interacao/> Acesso em: 21 de setembro de 2022.

MUSEU FELICIA LEIRNER E AUDITORIO CLAUDIO SANTORO. Plano Museológico. ACAM Portinari: Campos do Jordão, 2021. MUSEU FELICIA LEIRNER E AUDITORIO CLAUDIO SANTORO. Programa de Acervo. ACAM Portinari: Campos do Jordão, 2021.

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