Ao realizar um estágio na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Renópolis, a bióloga Andreza de Lima teve a oportunidade de trabalhar e cuidar do acervo entomológico, que foi sendo desenvolvido a partir de observações com armadilhas noturnas. Essa prática lhe proporcionou o encontro com espécies encantadoras que habitavam o espaço. Ao resgatar essa memória e se deparar com a variedade de espécies de borboletas que era possível observar em apenas uma volta pelo museu, Andreza começou a se questionar sobre quais espécies poderiam surgir à noite. Seriam grandes, pequenas, coloridas ou não? Seus desenhos seriam tão bonitos quanto os das borboletas? Essas perguntas continuaram em sua mente até que ela começou a colocar a observação em prática.
Com o auxílio de uma armadilha luminosa, a observação noturna de mariposas foi tomando forma. A observação foi realizada no Museu Felícia Leirner, em dois locais com paisagens diferentes: um deles no mirante, caracterizado por ser um campo de altitude, e o outro na doca, um local com menos movimento e muito próximo à mata. A armadilha foi montada todos os meses durante quatro dias, e cada dia trazia uma sensação diferente. Havia dias em que apareciam pouquíssimas espécies durante todo o período de observação, mas também havia dias em que era praticamente impossível contar quantos indivíduos haviam pousado na armadilha. Nessas ocasiões, apareciam muitas mariposas, variando entre 900 e mais de 1000 indivíduos em apenas duas horas de observação. Em momentos assim, Andreza contava com a ajuda dos vigilantes noturnos, que acabavam se interessando pela observação das mariposas.
O objetivo da observação foi analisar as espécies que habitavam a área, descobrir qual estação do ano apresentava maior quantidade de indivíduos e verificar se o tipo de paisagem influenciava o surgimento das espécies. A observação teve início em 2023 e se estendeu até 2024, e todos os dados obtidos serão publicados em um artigo em andamento.
As espécies que pousavam na armadilha luminosa foram fotografadas para a realização de sua identificação. Além disso, outros insetos que apareciam na armadilha, o local, a data e o horário de coleta, a temperatura e observações sobre o clima também foram registrados.